Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
16/03/2019 19h18
*MANIFESTO DO MULHERIO DAS LETRAS POR UM PACTO COLETIVO DE DESARMAMENTO**

Neste momento, no Brasil, é difícil quem de nós não se sinta no meio de um tiroteio cerrado.

E sim, não há como negar: temos carregado no peito muita tristeza e muito medo. E no meio de tantas guerras, cada vez mais permanentes, quantos de nós escaparão? O que fazer para sobreviver de pé? E o que acontecerá com os demais?

Como se não bastasse, ainda nos ronda, enlouquecido, todo um discurso pronto que nos incentiva a reagir simplesmente nos armando mais: a nossa vida em sociedade seria então toda feita de olho por olho, dente por dente, fera contra fera. Já há até quem considere razoável recomendar que professores andem armados em suas salas de aula. Como já houve quem chegasse a defender que eventuais adversários fossem sumariamente fuzilados. E como há inclusive mil brincadeiras de matar sendo ensinadas às crianças, desde cedo, assim como há futuros sendo mortos de verdade junto delas.

Nós aqui, no entanto, temos que dizer em alto e bom som: nossa luta se faz é com palavras, e o que elas podem fazer é justamente o contrário disso tudo.

Porque palavra desarma.

Sabemos bem que, quando estamos com crianças, poucas coisas criam tanta conexão e respeito quanto as histórias que contamos e as conversas que podemos ter, em substituição a velhas práticas de pancadas e silenciamentos.

Com jovens, é de novo a palavra que tantas vezes evita tragédias: é conversando que se pode superar mal-entendidos, solidões dolorosas, sufocos sem fim, explosões inarticuladas.

E quando estamos entre adultos, nada poderia nos proteger mais do que uma boa prática argumentativa. É através dela que poderíamos nos ouvir de verdade, aprender uns com os outros, ver nossas crenças confrontadas, arriscar-nos a evoluir. E é ouvindo argumentos bem embasados e debates públicos transparentes que poderíamos de fato reconhecer o que está em jogo a cada embate, a cada escolha, a cada eleição.

Nesse sentido, não temos dúvida de que tudo o que recusa, interrompe ou silencia o debate entre nós é também o que nos empurra para a briga cega e para a fantasia fácil de que é possível resolver tudo na base do tapa, do soco, do tiro.

É também por isso que nós estamos aqui, trabalhando com palavras. Todos os dias.

Porque já tivemos guerras e mortes demais diante das nossas retinas tão fatigadas.

Porque precisamos testemunhar uma vez mais que há outros caminhos para resolvermos nossos conflitos, nossas dores e nossos medos, sem nos transformarmos todos, no fim das contas, em potenciais vítimas ou potenciais assassinos.

Porque palavra desarma – e um Pacto Coletivo de Desarmamento é só o que ainda pode nos salvar do aniquilamento coletivo e nos obrigar a dar, enfim, um belo e articulado passo adiante.

15 de março de 2019
#MulherioDasLetras


Publicado por Rubens Jardim em 16/03/2019 às 19h18
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16/03/2019 19h12
SOU COMPLETAMENTE CONTRÁRIO A ARMA DE FOGO

Sempre fui contra arma de fogo.Ninguém da minha família teve um revolver. Mas todos tinham livros e gostavam de ler.


Publicado por Rubens Jardim em 16/03/2019 às 19h12
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08/03/2019 14h30
NO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES

MINHA HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES --Seguindo a sugestão de uma postagem feita por uma jovem poeta amiga, não vou mandar flores, nem pedir pra você comprar esses livros. Esses e-books são gratuitos e podem ser acessados através dos links: 
Volume 1: https://issuu.com/rubensjardim/docs/livro_mulheres_poetas_a1
https://issuu.com/rubensja…/…/livro_mulheres_poetas_volume_2
https://issuu.com/rubensja…/…/livro_mulheres_poetas_volume_3

E eles são a minha contribuição para que as vozes das mulheres poetas sejam ouvidas.Esse trabalho me ocupou durante mais de seis anos.E não me arrependo.Garimpando em diversas regiões do Brasil encontrei muito ouro e muita pedra preciosa. Lamentavelmente grande parte dessa riqueza estava escondida através do legado do machismo e da educação patriarcal. Hoje, felizmente, essas questões estão sendo revistas e resgatadas. 


Publicado por Rubens Jardim em 08/03/2019 às 14h30
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08/03/2019 14h18
NOSSO POETA MAIOR: JORGE DE LIMA(1893-1953)

Não procureis qualquer nexo naquilo
que os poetas pronunciam acordados,
pois eles vivem no âmbito intranquilo
em que se agitam seres ignorados.

No meio dos desertos habitados
só eles é que entendem o sigilo
dos que no mundo vivem sem asilo
parecendo com eles renegados.

Eles possuem, porém, milhões de antenas
distribuidas por todos os seus poros
aonde aportam do mundo suas penas.

São os que gritam quando tudo cala,
são os que vibram de si estranhos coros
para a fala de Deus que é sua fala.

(poema de Jorge de Lima, do Livro de Sonetos (1948).Incluí no meu livrinho JORGE,80 ANOS (1973) que pode ser acessado gratuitamente através do link https://rl.art.br/arquivos/198687.pdf?1244516286)


Publicado por Rubens Jardim em 08/03/2019 às 14h18
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08/03/2019 14h05
POEMA DESENTRANHADO DE UM TEXTO DE MARILENA CHAUI

A hora da poesia master do mestre das poesias. Que se constitua num mote para que nos unamos contra essa vergonha a que assistimos. Saiamos das trevas desse pior medo e avancemos contra esse ultraje (est)ético que nos assola. Parabéns, Rubens Jardim!!!

Complemeno com H. Faria: “Ideia feliz, o poeta inaugura o não dito e reconstrói o já dito. Conseguiu uma façanha: transformar a brilhante e pétrea lógica de Marilena em um belo poema. Estamos aí para encantar o , voar sem sair do lugar, ttransmutar o improvável, a dureza das feições e fazer a pedra romper para restaurar o seu coração de água. Ajayu!” (POSTADO NO FACEBOOK PELO AMIGO GILBERTO ALMANSUR)

POEMA DESENTRANHADO DE UM TEXTO DE MARILENA CHAUI*
De que se tem medo?
Da morte, da cólera de Deus,
da manha do Diabo,
da crueldade do tirano
da multidão enfurecida.
Temos medo dos cataclismos, 
da peste, da fome 
e do fim do mundo.
Temos medo do grito
e do silêncio
do vazio e do infinito
Da adversidade e da repressão.
Temos medo do efêmero 
e do definitivo.
Do para sempre
e do nunca mais.
Temos medo da culpa
e do castigo.Do perigo
e da covardia.
Temos medo do esquecimento
E de jamais poder deslembrar
Temos medo da insônia 
e de não mais despertar.
Temos medo do ódio
da cólera e também
da resignação sem
esperança.
Temos medo da dor
sem fim.Da desonra.
Temos medo de Auschwitz
e do Juqueri.
Temos medo da censura
Da traição. Da tortura
e da delação.
O medo é a mais triste
das paixões tristes:
caminho da servidão

*em Os Sentidos Paixão, livro publicado em 1987 com a participação de vários nomes importantes da cultura brasileira.


Publicado por Rubens Jardim em 08/03/2019 às 14h05
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