Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
14/01/2018 12h29
NIETZSCHE PARA ESPÍRITOS LIVRES

Sou apaixonado por ele desde a juventude. E mais velho fui atrás dele. Estive em Naumburg, na escola em Pforta e em Sils-Maria. Também estive na Basiléia, onde ele deu aula.

DUAS OBSERVAÇÕES SOBRE NIETZSCHE -- "Quando se entra em contato com os seus livros se aspira um ar puro, elementar, desprovido de pressão, de nebulosidade ou de densidade; vê-se livremente nessa paisagem até o mais alto do firmamento e respira-se um ar único, um ar feito para corações robustos e espíritos livres." (Stefan Zweig
"Realmente não o conhecemos em seus dias sadios, mas só como enfermo no último estágio da paralisia. Mesmo assim, os minutos em que estivemos em sua presença são das mais preciosas recordações de nossa vida. Apesar de ter os olhos baços e as feições abatidas, apesar do pobre estar deitado ali com os membros torcidos, mais desamparado do que uma criança, a sua personalidade emanava um fascínio, e revelava-se uma majestade em sua figura que nunca mais senti em nenhuma pessoa"(August Horneffer)


Publicado por Rubens Jardim em 14/01/2018 às 12h29
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13/01/2018 19h10
HOLDERLIN FOI O POETA QUERIDO DE NIETZSCHE

COMOVIDO JUNTO DA TORRE ONDE HOLDERLIN VIVEU ESQUECIDO E ENLOUQUECIDO DURANTE 36 ANOS - Também passei na mesma cidade de Tubingen, pelo seminário luterano de Stift, onde ele estudou e tornou-se amigo de Hegel, Schelling e Schiller. Abaixo um poema desse que foi considerado o "poeta da poesia" por Heidegger.

O POEMA CONCISO

Porque és tão curto ? Já não amas, como noutros

Tempos, o cântico ? Nesse tempo , ainda jovem,

Quando em dias de esperança cantavas,

Nunca encontravas o fim.


Como a minha sorte, assim é minha canção. Queres-te

banhar, feliz, no pôr do Sol? Já passou! E a

Terra é fria e o pássaro da noite sibila,

Incômodo, perante os teus olhos.

Tradução do poeta Luís Costa.


Publicado por Rubens Jardim em 13/01/2018 às 19h10
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13/01/2018 19h04
VISITA A CASA DE JUNG EM BOLLINGEN, SUIÇA

TRECHO DE UM TEXTO DE MEMÓRIAS SONHOS E REFLEXÕES - Sinto-me espantado, decepcionado e satisfeito comigo. Sinto me triste, acabrunhado, entusiasta. Sou tudo isso e não posso chegar a uma soma, a um resultado final. É para mim impossível constatar um valor ou um não-valor definitivos; não posso julgar a vida ou a mim mesmo. Não estou certo de nada. Não tenho mesmo, para dizer a verdade, nenhuma convicção definitiva – a respeito do que quer que seja. Sei apenas que nasci e que existo; experimento o sentimento de ser levado pelas coisas. Existo à base de algo que não conheço. Apesar de toda a incerteza, sinto a solidez do que existe e a continuidade do meu ser, tal como sou.


Publicado por Rubens Jardim em 13/01/2018 às 19h04
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10/01/2018 20h38
DIANTE DO TÚMULO DE RILKE

O poeta e jornalista Wanderley Diniz também esteve no túmulo de Rilke, em Raron, Suiça. E muito antes de minha peregrinação. Ele esteve lá em 1975 e eu em 1992. O belo poema abaixo é o resultado de sua viagem.

 

Prometi ao amigo e poeta Rubens Jardim, depois de sua bela postagem sobre Rilke, que eu também diria sobre a peregrinação que fiz ao seu túmulo, em Rarogne, na Suiça. O resultado foi publicado anos depois, no Suplemento Literário do Minas Gerais, edição de 15 de fevereiro de 1975. Ei-lo:

DIANTE DO TÚMULO DE RILKE

Wanderley Diniz

1.
É aqui Rarogne, onde o poeta dorme.
O Rhone, lá embaixo, é um vale gelado
onde o verde se transformou em branco.

Do poeta, aqui estão as cinzas,
mas nem isso percebo. O que vejo, todos
os olhos vêem: uma lápide enfeitada
com fores e velas apagadas.

Estou aqui, é certo, mas como ausente.
O coração anda longe, vaga perdido
entre palmeiras, no país
onde apagaram o sol.

E é por isso que pergunto ao corpo:
o que faz, presente aqui aquele que se pretendia anjo,
buscando lágrimas diante do cofre 
que encerra o que os pressentiu e cantou?

E talvez seja exatamente isto o que lamento:
- a certeza de que jamais serei um anjo.

2.
É verdade, confesso, que não soube suportar
a solidão e nem tampouco confiei na primavera.
Ser mortal, sei que meus braços são curtos,
disforme o meu corpo,
pequenas e grossas minhas mãos,
e - ai de mim - meus ouvidos já não sabem
a sonoridade do Eterno.

3.
Nenhum segredo conhecerei.
Agora e sempre, a música do roçar do vento
nas folhas, será sempre o barulho comum
do vento no vegetal, e não poemas que somente
ouvidos treinados percebem.

No entanto, nem sempre foi assim.
Tempos houve em que, como um cão,
eu podia perceber a magia da lua
e ganir meus versos para o astro.

Mas, agora, como crer outra vez que legiões
de anjos andarilhos descansam em suas crateras,
se delas conheço a geografia deserta?
E, ainda assim, como fazer chegar a esses ouvidos
o grito angustiado, se a voz e o ser estão presos
à dimensão comum das coisas?

4.
Conformar. Ouvi esta palavra que é justa e é ordem.
Esqueci outras esferas e vivo apenas o humano existir.
Cerrei, definitivamente, os ouvidos às estrelas 
e creio, sinceramente, que os animais não falam.
Olvidei, para sempre, a forma das árvores,
e digo a todos que a flor é anti-natural.

5.
É isto: sou prisioneiro do real
e estou contente em suas fronteiras seguras,
pois já não existe o perigo de ser um anjo disfarçado
o mendigo que bate à minha porta.

Também por segurança, já não retorno
à infância, tempo de aventura e magia,
mas posso dormir tranquilo, pois há um guarda
em cada esquina do mundo,
velando para que os sonhos sejam parcos
e que a única certeza realmente certa
seja a morte, que um dia chegará.

6.
É assim que estou em Rarogne,
onde o poeta dorme: tenho trinta anos,
milhares de quilômetros rodados,
e o corpo coberto por tatuagens, 
lembranças de hotéis, estações vazias
e portos que serão sempre saudades de pedra.

Estou aqui com a certeza de que jamais
ouvirei o apelo e nem sentirei outra vez aquelas
mãos poderosas que me arrebatavam
e me passeavam por paisagens que davam
ao poema o calor dolorido de oração.

Trago de volta, e deixo aqui, sobre a lápide,
o coração conformado:
- tão branco como o vale lá embaixo, 
onde o Rhone rola as suas águas tranquilas,
indiferente a palavras, gestos ou soluços.


Publicado por Rubens Jardim em 10/01/2018 às 20h38
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09/01/2018 00h50
ÚLTIMO BOM LIVRO DE LENITA ESTRELA DE SÁ

A poeta maranhense Lenita Estrela de Sá está de livro novo: Antídoto, publicado pela 7 letras no final do ano passado. Lenita já tem mais de 11 livros publicados em diversos gêneros: literatura infantil, contos, teatro, roteiro de cinema e televisão. Estreou em 1978, com apenas 17 anos, e foi louvada por Josué Montello. Muitos anos depois, em 2015, seu livro Pincelada de Dali e outros poemas mereceu prefácio de Ferreira Gullar. E ali o autor de Poema Sujo declara que o que mais lhe agrada nos poemas de Lenita "é sua ligação emocional com o cotidiano, com a realidade de cada instante." Eu não consigo discordar e recomendo este Antidoto. Belo livro.


Publicado por Rubens Jardim em 09/01/2018 às 00h50
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