Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
15/02/2019 00h02
UMA COISA PUXA A OUTRA QUE PUXA A OUTRA...

Minha mulher, Ana Maria Leitão,não pode usar seu chapéu na renovação da carteira de identidade.Quando ela estava criando esse adorno pra sua cabeça, lá na casa do mato, me lembrei de uma figuraça que conheci no périplo da Catequese Poética nos anos 60, em Minas: dona Olímpia. Segundo Rita Lee ela foi a primeira hippie brasileira. Circulava por Ouro Preto e chamava a atenção de todos: artistas, músicos, filósofos.Em 1959, Sartre e Simone foram fotografados com ela.


Publicado por Rubens Jardim em 15/02/2019 às 00h02
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14/02/2019 23h53
NOVAS EDIÇÕES DE GRANDE SERTÃO:VEREDAS

GUIMARÃES ROSA VEM AÍ - Sessenta e três anos depois da publicação de Grande Sertão:Veredas (1956) obra que mudou a história literária do Brasil e é considerada uma revelação do potencial expressivo da nossa língua, a Companhia das Letras anuncia duas edições desse longo poema em prosa: uma comum e outra de luxo. Esta terá 63 exemplares, numerados, com capas feitas por bordadeiras de São Paulo e Minas Gerais. O preço dessa edição especial (R$1190,00) está provocando polêmica nas redes sociais. A edição comum custará R$89,90.


Publicado por Rubens Jardim em 14/02/2019 às 23h53
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06/02/2019 18h28
QUANDO AS CASAS ERAM ABERTAS AOS OUTROS E AOS AFETOS

AV. REBOUÇAS, ANOS 50 -- Morei lá nos anos 60 em um casarão do meu tio e a avenida ainda era exatamente assim, com esse canteiro central fabuloso. E a nossa vida lá parecia uma festa interminável. Também moravam lá: meus pais, meus dois irmãos, minha avó Elisa, meu tio Walter, minha tia Dulce. Apesar da ditadura militar, vivíamos em paz. E a vovó atraia visitas cotidianas de meus tios e tias e primos e primas. Preservo lembranças extremamente gratificantes dessa vida aberta ao outro.


Publicado por Rubens Jardim em 06/02/2019 às 18h28
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06/02/2019 17h39
IMPOSSÍVEL ESTAR EM FEVEREIRO E NÃO LEMBRAR DESSE POETA MAGNÍFICO

Paulo Marcos del Greco (1932-2018) é um dos poetas mais injustiçados deste país. Publicou um único e excelente livro nos anos 60, Lamentações de Fevereiro, na coleção Novíssimos -- do Massao Ohno. Depois disso, que eu saiba, só um trecho desse poema foi republicado na Antologia Poética da Geração 60, organizada pelos poetas Álvaro Alves de Faria e Carlos Felipe Moisés.
Pode-se até buscar justificativas para isso em sua produção de um livro só. Pode-se também atribuir-lhe a classificação--criada por Manuel Bandeira-- de poeta bissexto. Mas não consigo engolir nenhuma delas. Afinal, o nosso querido Augusto dos Anjos -- publicou também um livro só. E ainda hoje ele está aí, vivo, republicado--e presente em tudo que é história da literatura.
E como vocês poderão ver, nesse trecho inicial do livro Lamentações de Fevereiro, a poesia de Paulo Marcos del Greco é das melhores já publicadas no Brasil. O poema abre exatamente com o mesmo verso com que Camões dá início ao seu célebre poema Babel e Sião. (Sôbolos rios que vão por Babilônia...)

Sôbolos rios que vão por Babilônia
o tempo de chegar gerou a espera
e as mãos que me seguiram no caminho
teceram o foi e o que não era.
Sôbolos rios, tristes águas noites,
Babilônia outra vez ressurge em dias
e presente é passado e história é fuga
do escuro de teus olhos quando vias.
Por que tempo de amar, por que destêrro
nessa esfera armilar dentro do escuro,
onde barões assinalados, rudes,
cruzam as armas sobre a cruz de um muro?
Aqui é Babilônia. É parte alguma
onde tudo está. E armado em sangue
singra o tempo vazio o espaço exangue.

As palavras estão cansadas.
Sem deuses, a palavra cai
na conjura dos povos,
dorme no sobressalto das sílabas
e ressoa difícil, inquieta
no labirinto dos significados.
Semente que aguarda a madurez dos mitos
Palavra
árvore de lúcidas sombras
e frutos pressentidos
nas raízes.

Inútil lutar nesse horizonte de gritos
Inútil crispar mãos, ritos e gestos
para a chegada dos tempos
em que amor fale de nós.
Mas nossa voz é gasta
como o olhar dos mortos
e os ritos já se perdem na pronúncia dos ventos
dissimulados no perfil de outrora.
Resta o gesto que somos
na escuridão sem memória.
Pois o que pensamos,
nossa casa onde se diz
mesa, leito e cartas esquecidas,
o vaso de flores absortas
e livros longamente tocados no vazio das noites:
é ceia na memória.
A simples memória de sermos o fruto
de sabor prematuro nas línguas do vento
agitando vozes de outra essência
pelas estradas de Fevereiro.
Mas permanecemos. Aqui. Sobre coisas ocultas.

Aqui. no que nos mantém, 
pois mantemos o que nos mantém,
fiéis a um compromisso de vozes
articuladas sem berço.


Publicado por Rubens Jardim em 06/02/2019 às 17h39
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26/01/2019 17h36
E A VALE FOI PRIVATIZADA EM 1997,M GESTÃO FHC

NA LAMA

Mais uma tragédia brasileira (ou crime ambiental como alguns preferem nomear) aconteceu hoje, onde a impunidade reina para os responsáveis que se esquivam, e nada acontece ao se falar de vidas em risco, e crimes ecológicos. Mais de 400 desaparecidos e um despreparo absurdo para os resgates. Somos desamparados por um esquema podre de isenção de punição (interesses torpes capitalistas, judiciários e governamentais) e total hipocrisia quanto a laudos fraudulentos. Como pagar impostos e ver o profundo descaso e desproteção ao cidadão ? A corrupção já virou um veneno letal que assasina tudo o que requer manutenção neste país. E somos enganados todos os dias por estas lideranças crueis e desgovernadas. Mariana na lama, Museu Nacional em chamas, e viadutos rachando...! Agora Brumadinho. Retrato nacional de pessoas, trabalhadores, casas e bichos arrastados pela lama, levados pelas sujeiras das negligências podres e fedorentas.
Até quando ?
Vergonha nacional !

(copiei esse comentário da minha amiga, poeta Paula Valéria Andrade, pois ele resume, com exatidão meu pensamento)


Publicado por Rubens Jardim em 26/01/2019 às 17h36
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