Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
13/03/2018 23h15
POEMA DE EDUARDO ALVES DA COSTA

Muito adequado aos tempos atuais, publico o famoso e controvertido poema de meu amigo Eduardo Alves da Costa.A autoria já foi atribuída à Brecht e à Maiakovski. Mas está lá, no livro dele, publicado em 1968, pela Nova Fronteira. Esse poema já foi reproduzido à exaustão na internet, frequentou camisetas e virou uma das bandeiras contra a ditadura de 64. E com seu humor peculiar, Dudu já tentou solucionar esse equívoco: " Não posso deixar de agradecer a Maiakóvski, graças a quem um trecho do meu poema se tornou tão conhecido em todo o Brasil. Porém, meu nome é Eduardo Alves da Costa; mas podem me chamar de Vladímir Maiakóvski "

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA


Publicado por Rubens Jardim em 13/03/2018 às 23h15
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13/03/2018 22h53
UMA BOA NOTÍCIA

QUE ALÍVIO: AUGUSTO NUNES DEIXA O RODA VIVA

O último programa comandado por ele será no dia 27 de março e o convidado será o juiz Sergio Moro. Algumas palavras sobre esse jornalista, proferidas por Ruy Mesquita no livro “Nascidos para perder”, de Mylton Severiano, o querido Miltainho):

“Augusto Nunes não tem caráter, é amoral, manipulador de notícias e isso eu provo confrontando o noticiário do Jornal da Tarde e do Estado durante a campanha presidencial de Collor. Ele tentou de todas as formas contratar uma equipe paralela em Brasília para fugir do controle da Agência Estado e com isso fazer todo o tipo de maracutaia. Nunca pôs a mão na massa. Não gosta de trabalhar, só de aparecer. Mais: disse a ele numa reunião com meus primos e meus irmãos, além do Elói Gertel e do Sandro Vaia, que o problema dele não era o que estávamos discutindo naquela hora, mas sim que ele é um desprovido completo de uma coisa que qualquer homem sério tem: caráter. Esse foi o fim do Augusto aqui no Estado”.


Publicado por Rubens Jardim em 13/03/2018 às 22h53
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09/03/2018 14h44
VICTORIA DA SALMOTRÁCIA

É uma experiência comovente essa aproximação com a mítica escultura. Colocada em um ponto estratégico, no alto de uma longa escadaria, ela pode presentificar qualquer vitória em qualquer batalha. Mas pra mim ela é a vitória da beleza. Ou como anotou Rilke com sua visão tão poética e singular:: "Esta escultura não nos trouxe somente o movimento de uma bela moça que vai ao encontro do seu amado: ela é ao mesmo tempo uma imagem eterna do vento grego, de sua amplidão e de sua nobreza."


Publicado por Rubens Jardim em 09/03/2018 às 14h44
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08/03/2018 13h45
TODA MULHER É UMA VIAGEM

Não poderia deixar de trazer esse soneto em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. E na leitura desse gigante que foi o Abujamra. Recebi essa leitura como um dos mais belos presentes da minha vida e divido isso com os amigos deste sítio de palavras.É só clicar no link e assistir.

https://www.youtube.com/watch?v=H9BCt02n6YE

Toda mulher é uma viagem
ao desconhecido. Igual poesia
avessa ao verso e à trucagem,
mulher é iniciação do dia,

promessa, surpresa, miragem.
De nada adiantam mapas, guias,
cenas ensaiadas ou pilhagens.
Controverso ser, mulher é via

de mão única, abismo, moagem.
É também risco máximo, magia,
caminho íngreme na paisagem.

Simplificando: mulher é linguagem,
palavra nova, imagem que anistia
o ser, o vir-a-ser e outras bobagens


Publicado por Rubens Jardim em 08/03/2018 às 13h45
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07/03/2018 14h54
GRANDE ALEGRIA QUE COMPARTILHO COM VOCÊ

Receber um presentão desses ( um baita poema desse incrível Paulo George e essa expressiva ilustração da Luiza Maciel Nogueira ) e em uma quarta-feira, dia de Xangô, só pode ser por interferência do meu santo. Kao Kabiesilê!

GUERREIRA POESIA

Sem ter medida, sem ter fim
teu nome é Rubens Jardim!

Poesia não suporta prato raso
é prato fundo todo dia de destempero
contra o cheiro de hipocrisia.

Poesia é rabisco de grafite contra o racismo,
nas paredes, nos muros, nos desalmados
que vivem do seu próprio abismo.

Poesia é cachaça que não passa
que se engole com fúria de vida.
É menina que passa
e a beleza perde até a medida.

Poesia não morre!
Nasce e renasce em todos os lugares:
é a fome do grão da terra
é o porre dos bares.
Detesta a mão sangrenta que alimenta as guerras.
Está em tudo que se arrebenta
na força dos ventos e dos mares.

Poesia é puta desavisada
de quem vai comê-la de qualquer jeito,
mas brilha no fogo dos corpos na madrugada
pois já nasceu com uma estrela no peito.

Poesia não é brincadeira não, seu moço! 
Ela desgoverna o coração.
Faz o sonho menino ser mais bonito.
É o alvoroço dos pássaros 
quando voam das mãos
para rabiscarem versos no universo infinito."

(Autor: Paulo George - ilustração: Luiza Maciel Nogueira)


Publicado por Rubens Jardim em 07/03/2018 às 14h54
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