Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
16/01/2019 15h40
OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER

Por puro acaso, procurando neve na Suiça, encontramos Stans, cidadezinha de 7 mil habitantes, ao pé do montanha Stanserhorn. E lá estava registrada a passagem de Goethe, autor que me encantou na mocidade com o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther. O romance epistolar trata do encontro de Werther e Carlota, encontro que mudará para sempre a sua vida, resultando em uma paixão avassaladora que o levará ao deslumbre do primeiro grande amor, seguido progressivamente ao próprio aniquilamento existencial. Estudiosos apontam que esse livro provocou uma onda de suicídios na Alemanha, inicialmente, e depois na Europa. Comenta-se, também, que esse livrinho escrito em 4 semanas, foi lido sete vezes por Napoleão que o carregava sempre em sua biblioteca de campanha.


Publicado por Rubens Jardim em 16/01/2019 às 15h40
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12/01/2019 13h00
GOSTO DE ME SENTIR DESARMADO E ABERTO AO QUE DER E VIER

O TOURO BIFRONTE -- Quando viajamos pela primeira vez pela Europa, meu filho Christiano Jardim tinha 5 anos.Acho que foi em 1992 e nós, bem easy rider, éramos guiados por mapas, pela infância e por aquele menino chamado Jesus.Nenhuma dessas tecnologias estavam presentes na vida de cada um de nós. Nem pra indicar caminhos, hotéis, museus, palácios e restaurantes.Mas eu era mais feliz --e sabia disso. Afinal, todos esses confortos também depreciam a nossa capacidade de criar, nossa iventividade, nossa possibilidade de de revelação, de encantamento e de enfrentar reveses, é claro. E eu gosto de me sentir desarmado e aberto para o que der e vier. Gosto de sentir que a vida é um prolongamento do nosso corpo e da nossa alma. Coisas precárias que nos fazem celebrar a união, a disposição conjunta de intuir, criar, seguir e prosseguir.Sempre de mãos dadas com as pessoas,com o mistério e com os milagres.E aonde estão hoje os mistérios, os milagres e as revelações? Já disse muitas vezes, pra amigos e familiares, estar ligado e conectado é, também, de algum modo, estar protegido dessa instantaneidade complexa que só nos deixa mais frágeis,menos utópicos --e com a fé cada vez mais abalada em transformar esse mundo cada vez mais desumano e desigual..Estou com 70 anos, mas vou lutar até o fim de meus dias.


Publicado por Rubens Jardim em 12/01/2019 às 13h00
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01/01/2019 16h06
A GRANDEZA DE DARCY E LULA

No topo de minha lista de brasileiros que admiro, dois nomes jamais faltariam: Darcy Ribeiro e Lula! Um, morreu reconhecendo seu "fracasso" nas lutas que empreendeu.... E deixou uma frase que o eterniza: "prefiro estar ao lado dos que comigo fracassaram do que ao lado dos que me venceram..."
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O outro, me deixou uma herança que me comove todos os dias, às vezes choro por essa lembrança: a herança de um sonho!
Com Lula, eu vi, ninguém me mostrou, eu vi.... que a miséria podia ter fim, que os excluídos podiam ser incluídos, em bons empregos, Universidades, mestrados e doutorados aqui e lá fora, eu vi, ninguém me mostrou, QUE TUDO, SEMPRE, NÃO PASSOU DE DAR OU NÃO A ESSES BRASILEIROS, UMA OPORTUNIDADE!
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O fato desse brasileiro não ter tido tempo de concluir sua obra, me é irrelevante! Não se poderia mudar 500 anos de indiferenças e perversidades sociais em oito anos de governo.
Mas Lula "abriu a caixa de Pandora", PROVOU que todas as nossas misérias tinham sim relação única e direta com o modo torpe e injusto com que fomos secularmente governados....
As sementes vingaram, alguns milhões de filhos de pedreiros, empregados domésticos, garçons, hoje estão formados, ou com empregos técnicos onde ao menos têm a chance de um progresso profissional e social.
Temos então, um, que morreu reconhecendo suas derrotas no que tentou, e o outro, preso, sem perspectiva concreta de receber JUSTIÇA por parte do Estado de Exceção que hoje vigora no país, sem perspectiva de ver seu sonho continuado por outras mãos, outras lideranças....
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E eu me ORGULHO, de um e do outro.
Sinto-me REPRESENTADO por ambos.
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Feliz, por não fazer parte espiritual e existencialmente falando, de nossas elites sociais e classes médias perversas, indiferentes, doentes de preconceitos e narcisismo de classe, gente CEGA, incapazes de enxergarem a grandeza de um Darcy, de um Lula.....
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Feliz por não fazer parte da pantomima grotesca que amanhã ocorrerá em Brasília, uma farsa sem igual....
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Feliz por me alinhar ideológica e existencialmente a esses dois grandes seres humanos, esses dois gigantes do nosso país....
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Em 2019, eu sei o que fazer, porque lutar.
É só eu ver na História do Brasil, quem realmente se interessou pelo povo brasileiro. E seguir-lhes os passos.....
.(eduardo ramos)

 


Publicado por Rubens Jardim em 01/01/2019 às 16h06
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30/12/2018 18h22
30 DE DEZEMBRO ERA DATA FESTIVA EM NOSSA FAMÍLIA

Um pedaço de terra que é toda a terra.Um punhado de areia que é toda a areia.Um caminho que se prolonga e conflui conjugando paixões, vigílias, longas conversações e rios de silêncio. É assim que olho essas fotos, sombras quase escondidas na ausência desses guias.Hoje, 30 de dezembro, é data aniversária de casamento de meus pais. Eles já se foram mas as fotos preservam essas celebrações.(bodas de prata, bodas de diamante e nós juntos)


Publicado por Rubens Jardim em 30/12/2018 às 18h22
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30/12/2018 18h15
NOVA TRADUÇÃO DO CÉLEBRE POEMA DE ELIOT: THE WASTE LAND

Mario Sergio Conti escreveu ontem, na Folha Ilustrada, um bom artigo sobre a nova tradução feita por Caetano Galindo do célebre poema de Eliot: The Waste Land. Entre outras questões ele faz referência às inúmeras citações poéticas e filosóficas coladas no poema. Menciona também a "canonização" do poeta com o Nobel e, logo a seguir, relata a primeira edição fac-símile do poema que recebeu as bençãos, intervenções e cortes de Ezra Pound. Segundo o próprio Eliot, o rascunho caótico de A Terra Devastada saiu das mãos de Pound em 1922, reduzido à metade --e em sua forma definitiva. Por fim, mostra que o genial poeta tornou-se popular como autor de um livro que serviu de base para o musical da Brodway, visto por mais de 70 milhões de pessoas em 30 países: Cats. Pois é: Andrew Lloyd Weber, compositor desse musical baseou-se nos versos de um livrinho que Eliot fez para os sobrinhos... (abaixo alguns depoimentos e versos de Eliot )
"Já que falo de Pound, prefiro dizer logo que tenho uma dívida muito grande para com ele. Meus primeiros poemas ( aí incluídos Prufrock e outros publicados mais tarde) ficaram em minha gaveta de 1911 a 1915. E Pound os publicou."

“Tempo haverá, tempo haverá para moldar um rosto com que enfrentar os rostos que encontrares...Tempo para ti e tempo para mim, e tempo ainda para uma centena de indecisões e uma centena de visões e revisões, antes do chá com torradas.”

O que poderia ter sido e o que foi convergem para um só fim, que é sempre presente. Ecoam passos na memória ao longo das galerias que não percorremos em direção à porta que jamais abrimos para o roseiral. Assim ecoam minhas palavras em tua lembrança.”

“Não estás aqui para averiguar, ou te instruíres a ti próprio, ou satisfazer a curiosidade, ou redigir um informe. Aqui estás para te ajoelhares onde eficaz tem sido a oração.”

“Acertemos nossos relógios pelos relógios das praças.”

“Cada frase e cada sentença são um fim e um princípio. Cada poema um epitáfio.”

“Assim expira o mundo não como uma explosão, mas com um suspiro.”


Publicado por Rubens Jardim em 30/12/2018 às 18h15
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