Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
14/06/2009 15h12
AS INDECÊNCIAS QUE O CAPETALISMO PROMOVE SOB O DISFARCE DE DEMOCRACIA
Desde muito cedo, já na adolescência, as injustiças sociais provocavam minha revolta. Nunca consegui admitir a razão dos privilégios e a razão da miséria. Em épocas mais remotas até o mais ilustre dos impérios, o de Roma, foi construído nas pilhagens de mão de obra e de tesouros. Nenhum dos impérios antigos conseguiu transformar as técnicas de produção ou aumentar a produtividade. Ainda assim, todos eles fizeram progressos de ordem militar, administrativa, jurídica e artística.
É por essa e outras razões que jamais consegui entender –ou admitir – o transplante de valores herdados da monarquia. Se antes o negócio era ter sangue azul, hoje, apesar da revolução francesa e o estabelecimento de um novo código de valores, não há igualdade, fraternidade --e muito menos liberdade.
Em que pese todos os disfarces e ardis da chamada democracia burguesa, ainda é a classe dominante que dita todas as regras. E é ela que nos injeta o vírus da liberdade,essa idéia abstrata que ainda possui o poder e o fascínio de nos encantar. Mas vale descer dessa montanha mágica e fazer a pergunta correta: liberdade para quem?
Claro que podemos votar, possuímos o direito de ir e vir e de manifestar livremente nossas opiniões. Mas será que esses jargões tem alguma conexão com a realidade concreta? Ou serão apenas palavras mortas utilizadas, permanentemente, apenas para nos tornar um bando de cordeirinhos equivocados?
Não há dúvida que o fosso criado entre o castelo do senhor e a plebe ignara ainda encontra-se vivo – e foi progressivamente ampliado. Em Roma, havia o circo. Na corte francesa, os biscoitos. E atualmente são outras as migalhas que alimentam o nosso imaginário. A sociedade atual assegura, com sua letra morta, uma infinidade de direitos: direito ao trabalho, direito à educação, direito à saúde, direito à propriedade, enfim, direito a uma vida digna. Mas isso, via de regra, não sai do papel. Na vida real, são muito poucas as pessoas contempladas com essas garantias constitucionais. Algo muito semelhante ao que acontecia debaixo do período monárquico.
Mas para não situar essa questão em horizonte tão longínquo, vamos aproximar nossas lentes aos mais recentes episódios da crise internacional. Ela impôs perdas expressivas e impactou fortemente a área social com maior índice de desempregados e aumento das desigualdades. Aspecto curioso: o FMI e o Banco Mundial que nas crises anteriores apresentavam receitas, dizendo isso e aquilo, simplesmente ficaram em silêncio e desapareceram.
Aliás, para deixar de lado todas essas interpretações, vamos aos números que não podem ser manipulados e não deixam espaço para mentiras. A concentração de renda, por exemplo, continua a crescer: 1% da população detém 40% da riqueza total. E o quadro que escandalizou o mundo na década de 90 * não mudou em nada:.as três pessoas mais ricas do planeta continuam tendo riqueza superior ao produto bruto dos 48 países mais pobres, onde vivem cerca de 600 milhões de pessoas. E pouco mais de 250 pessoas, os verdadeiros bilionários, -----com ativos maiores de 1 bilhão de dólares-- possuem mais riqueza que os 40% da humanidade abaixo da linha da pobreza, perto de 2,5 bilhão de pessoas.
No Brasil, os meios de produção estão concentrados nas mãos de 6% da população; 20 mil famílias dominam o país; 11%da nossa população é analfabeta; os ricos não pagam impostos; a estrutura fundiária é pior do que a de 1950; os filhos de pobres só estudam quando trabalham; e só 30% dos 7 milhões de empregadas domésticas possuem carteira assinada.
 E, para finalizar, mais esta pérola da justiça social engendrada pelo capetalismo: os países mais ricos concentram 80% da riqueza do mundo, mas sua população representa apenas 20% da população mundial. Que tal?
 VIVA A LIBERDADE! VIVA A IGUALDADE! VIVA A FRATERNIDADE!
*PNUD,Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
 

Publicado por Rubens Jardim em 14/06/2009 às 15h12
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