Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
29/04/2020 15h05
CONVERSA COM A EDUCAÇÃO PELA PEDRA, DO JOÃO CABRAL

O SER URBANO FALANDO

A fala a nível do ser urbano, engana:
as palavras dele vêm,como ulceradas
(palavras de efeito, mobília), na sintaxe
de uma expressão indecisa, de almofadada.
Enquanto que sob ela, madura e apodrece
o arcabouço do sonho, a pessoa projeto,
perspectiva inglória do ser urbano,
incapaz de afirmar suas paixões.

Daí porque o ser urbano fala muito:
as palavras sem paixão adulteram a boca
e no idioma cidade não se fala o essencial;
nesse idioma o usual é a ausência do singular.
Daí também porque ele fala depressa:
tem de cortar as palavras de suas raízes,
aliená-las de sua vida, reconfeitá-las;
e esse trabalho não deve tomar seu tempo.

(Escrevi este poema em homenagem ao poeta João Cabral de Melo Neto já faz muito tempo.Minha intenção foi apropriar-me de sua linguagem e dos seus ritmos. Mais precisamente: estabelecer um contraponto ao poema O Sertanejo Falando, publicado no livro Educação Pela Pedra, Editora do Autor, 1966).

 

 

 


Publicado por Rubens Jardim em 29/04/2020 às 15h05
 
29/04/2020 14h45
TERCEIRO LIVRO CHEGOU NAS BANCAS DE JORNAIS E REVISTAS

TERCEIRO LIVRO, ESPELHO RISCADO, (1978) – Após 12 anos da publicação de Ultimatum, o poeta Luiz Carlos Mattos manifesta interesse em dar prosseguimento a mais uma tentativa de reaproximação da poesia com o povo. Desta vez trata-se de chegar às bancas de jornais e revistas com os cadernos de poesia, uma proposta de trabalho iniciada com Lapidário Geral, poemas de Luiz Carlos Mattos. Lançamento de Espelho Riscado, em papel jornal, foi realizado na sede da UBE de São Paulo e teve boa cobertura da mídia. Até TV esteve por lá entrevistando a gente. Jornais também abriram espaço e reproduziram até a capa--e com destaque. Algo absolutamente impossível de acontecer hoje em dia. Impossível, também, de acontecer hoje em dia, é receber uma mensagem como a que reproduzo abaixo de um dos maiores poetas da nossa língua: “Poeta Rubens Jardim: deixo de responder à sua carta-desencanto porque a melhor resposta lhe foi dada por você mesmo, em Espelho Riscado, cadernos de poesia-2.A poesia é exatamente o projeto de solução que encontramos para os desencontros e absurdos do mundo. E você dá bravamente o recado, em seus versos. Portanto, é seguir em frente, com as armas da lucidez e da esperança.” Carlos Drummond de Andrade (1979). É nois de novo invadindo o baú de nois mesmos!!!


Publicado por Rubens Jardim em 29/04/2020 às 14h45
 
29/04/2020 14h32
O SEGUNDO LIVRO ERA BÉLICO, DE PROTESTO

O SEGUNDO LIVRO (1966) , miolo impresso em mimeógrafo e capa impressa em tipografia. Lançamento foi feito na primeira Feira de Poesia realizada no Brasil, na Galeria Ouro Velho, na Rua Augusta. Mais dois livros foram lançados nessa Feira organizada pela Catequese Poética: Campo Deslocado, de Maria Márcia e Ex-Exercícios, de Luiz Carlos Mattos. Esses três livros são os primeiros títulos de uma nova editora, a Texto, iniciativa dos próprios poetas.Alguns dias depois desse lançamento, a poeta Stella Leonardos publica no jornal da UBE uma resenha onde destaco esse trecho: “Poeta de talento o jovem Rubens Jardim do Ultimatum, que diz com o desassombro de seus 20 anos poesia em praça pública (como naquele Comício Poético, em outubro de 65, na Praça da Sé, em São Paulo)... E eu planto aqui no cerne de cada coração, o ultimatum da minha última esperança..."(reprodução de notícia no Jornal da Tarde e Jornal do Brasil) É nois invadindo o baú de nois mesmos!!!


Publicado por Rubens Jardim em 29/04/2020 às 14h32
 
29/04/2020 14h27
O PRIMEIRO LIVRO 1964/1965 FOI UMA ANTOLOGIA

PRIMEIRO LIVRINHO (1964/1965) , impresso em mimeógrafo. Fizemos um lançamento, até bem badalado, na Livraria Atrium.Éramos 4 autores, todos muito jovens e os familiares, numerosos, compareceram em peso. Detalhe: alguns dias depois, em um fim de semana, lendo o Suplemento Literário do Estadão, sou surpreendido por uma reprodução dessa capa e uma resenha do Rolmes Barbosa. E o articulista destacava meu nome assim: “Rubens Jardim, que parece ser o mais maduro do grupo --mais maduro e, no fundo, mais amargurado -- diz, significativamente, que sua infância foi exata como um relógio sem ponteiros.” É nois invadindo o baú de nois mesmos!!!


Publicado por Rubens Jardim em 29/04/2020 às 14h27
 
29/04/2020 14h18
MAS COMO, COMO EXPLICAR ESTGE CORPO

Lindolf Bell gostou desse poema e produziu esse poster. Queria fazer surpresa, mas não aguentou e enviou pra mim antes da minha viagem para Timbó.


Publicado por Rubens Jardim em 29/04/2020 às 14h18



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