Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
07/03/2018 14h54
GRANDE ALEGRIA QUE COMPARTILHO COM VOCÊ

Receber um presentão desses ( um baita poema desse incrível Paulo George e essa expressiva ilustração da Luiza Maciel Nogueira ) e em uma quarta-feira, dia de Xangô, só pode ser por interferência do meu santo. Kao Kabiesilê!

GUERREIRA POESIA

Sem ter medida, sem ter fim
teu nome é Rubens Jardim!

Poesia não suporta prato raso
é prato fundo todo dia de destempero
contra o cheiro de hipocrisia.

Poesia é rabisco de grafite contra o racismo,
nas paredes, nos muros, nos desalmados
que vivem do seu próprio abismo.

Poesia é cachaça que não passa
que se engole com fúria de vida.
É menina que passa
e a beleza perde até a medida.

Poesia não morre!
Nasce e renasce em todos os lugares:
é a fome do grão da terra
é o porre dos bares.
Detesta a mão sangrenta que alimenta as guerras.
Está em tudo que se arrebenta
na força dos ventos e dos mares.

Poesia é puta desavisada
de quem vai comê-la de qualquer jeito,
mas brilha no fogo dos corpos na madrugada
pois já nasceu com uma estrela no peito.

Poesia não é brincadeira não, seu moço! 
Ela desgoverna o coração.
Faz o sonho menino ser mais bonito.
É o alvoroço dos pássaros 
quando voam das mãos
para rabiscarem versos no universo infinito."

(Autor: Paulo George - ilustração: Luiza Maciel Nogueira)


Publicado por Rubens Jardim em 07/03/2018 às 14h54
 
06/03/2018 13h13
SOLIDÃO

Não somos animais de luxo
Nem vivemos em um parque temático
A vida é uma criação social
E meu bando tá desaparecendo
Diminuindo
Minguando
Mas eu continuo gritando 
sozinho 
em Woodstock!


Publicado por Rubens Jardim em 06/03/2018 às 13h13
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05/03/2018 01h17
SONETO DE CELEBRAÇÃO DE UM AMOR DO PASSADO

(Antes do poema, algumas lembranças. Havia um bar-restaurante, em Pinheiros, que era frequentado por jornalistas e artistas. Eu e muitos amigos eramos fregueses e passávamos por lá toda semana. Um dia, vindo de uma reunião na Bienal, passei por lá. Não encontgrei nenhum amigo. Mas encontrei uma moça interessante e bela que não tirava o olho de mim. Tímido, demorei a me encorajar e a falar com ela. Sentamos juntos e começamos a conversar. Bem casado, perguntei se ela gostaria de conhecer um amigo que eu curtia muito e estava só, desimpedido e a fim de envolvimento. Ela assentiu e eu chamei esse amigo. Ele veio e o bate-papo prosseguiu. Percebi, no entanto, que os dois não sintonizaram. Assim mesmo, pensei em deixá-los e ir embora. Foi o que fiz.Mas ela pediu carona e eu a levei pra sua casa. Sequer entrei. Mas no caminho o papo foi bom e trocamos telefones. Passados alguns dias,voltamos a nos falar e a nos encontrar. E aí começou nossa história de amor. Deixei minha casa e minha mulher e fui morar junto dela e de seus dois filhinhos. Foi um período bonito, intenso --mas durou pouco. Acabei voltando pra casa e pra minha mulher.)

Vera é a dançarina inquieta
que me arrancou da quietude 
e me jogou no vai e vem de 
de seu corpo, mix de treino

trama e trem esfumaçado. 
Lembro de Vera bailando
sua leveza diante das alunas
e eu hóspede de suas asas.

Vera rebrotava dando aula,
esvoaçando pés, pernas e
pantorrilhas. E me abraçava

como se fosse cair no chão
de si mesma. E eu segurava
suas asas.Voávamos juntos


Publicado por Rubens Jardim em 05/03/2018 às 01h17
 
02/03/2018 15h39
VIREI UM HOMEM DO LAR

Faz muito tempo que descobri o universo da cozinha.Mas nunca pude me dedicar a ele senão amadoristicamente.Sempre trabalhei o dia inteiro e só de vez em quando podia curtir esse espaço mágico de transformações. Desde que me aposentei virei uma espécie de profissional da área. Um profissional doméstico, é claro. Sem grandes pretensões--exceto aquelas de seguir os bons momentos e os bons pratos que mamãe fazia. Ampliei o cardápio e sinto enorme prazer em preparar, no dia a dia, nossas refeições.
Nem sei pq caí na esparrela desse preâmbulo, pois o que eu queria dividir é o meu encantamento em estar vivendo e descobrindo esse espaço de aromas, formas e cores. Sempre senti fascínio pela beleza e pelo sabor das frutas. Hoje sinto isso em relação a um belo tomate, a um rabanete, a um alface ou a uma rúcula. É encantamento mesmo.E qdo estou lavando esses ingredientes, sou possuído por aquela controvertida frase do poeta Vinicius de Moraes: as feias que me perdoem--mas beleza é fundamental. E pra mim isso vale pra tomate, batata, laranja, abacaxi, cereja, feijão, arroz --e tudo mais.


Publicado por Rubens Jardim em 02/03/2018 às 15h39
 
01/03/2018 19h43
POEMA DE UMA DAS NOSSAS MULHERES POETAS

Gosto muito desse poema antigo da minha amiga Betty Vidigal. Por isso, divido com os amigos. Lembrando que Betty faz parte da nossa série AS MULHERES POETAS...que vai virar livro digital, gratuito. Serão 3 volumes. O primeiro está pronto, apesas aguardando texto de apresentação. Claro que feito por uma mulher, escritora de alta qualidade. Aguarde.

MACETES

Os macetes, meu irmão, conheço todos.

Desde ficar de costas para os postes 
nos cruzamentos,
quando sou pedestre,
para impedir que alguém, lépido e célere, 
chegue por trás e me ponha as mãos nos bolsos,
até evitar os mesmos postes 
nas tempestades elétricas 
pois é assim que se morre, minha irmã,
quando desce dos céus a flecha de Tupã.

Os macetes, meus irmãos, aprendi logo: 
como levar uma pedra pesada 
numa das mãos, na volta para casa 
– a mochila pendurada no outro ombro –, 
e arremessá-la, em trajeto certeiro, 
se alguém vem lá de longe e seu gingado
me é desconhecido. 
Pois eu distingo o passo de um amigo, 
um meu chegado,
do jeito de caminhar de algum bandido.

No ônibus, fico esperto: o pivete ao meu lado, 
pode muito bem puxar um canivete 
e me cortar o fundo da mochila, sem alarde, 
se me distraio e cochilo, tirando o atraso,
pois quem trabalha assim longe de casa 
levanta muito cedo e dorme tarde. 
(E assim levam o pouco que me resta.)

Se consigo um lugar pra ir sentado,
dormindo aos trancos e barrancos, 
prendo as alças nos meus tornozelos,
com a mochila debaixo dos pés. 
Sei que parece um excesso de zelo, 
mas se tenho uma nota de dez
vai escondida por dentro da cueca. 
Vai que me levam o pouco que me resta
– e como passo o resto deste mês?

Os macetes, bróder meu, aprendi cedo. 
Desde guardar as bitucas alheias
para um momento de extrema precisão
até o truque de não queimar os dedos:
é tudo uma questão 
de como se segura o bagulhim
para fumar até o fim.

Os macetes, mano, então, 
vou ensinando.

Quem usa calças sabe o que tem dentro.


Publicado por Rubens Jardim em 01/03/2018 às 19h43



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