Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
01/04/2018 18h52
EDITORIAL DO JORNAL O GLOBO APOIANDO O GOLPE

A "democracia militar" durou 21 anos (1964-1985), e estabeleceu a censura à imprensa, restrição aos direitos políticos,  perseguição policial aos opositores do regime, torturas, execuções e desaparecidos. E o título desse editorial, estampado na primeira página, dá bem a dimensão dessa aliança espúria que une os poderosos da casa-grande. Agora, em 2016, outro golpe foi dado com o impeachment da presidente Dilma Roussef. E o nosso país está caindo no abismo. 


Publicado por Rubens Jardim em 01/04/2018 às 18h52
 
31/03/2018 23h38
CARTA DE MARIELLE FRANCO AO COLETIVO BASTARDOS DA PUC

Em 2016, um grupo de estudantes cariocas, oriundos de favelas e comunidades, criou o coletivo Bastardos da PUC, que promove rodas de conversa e debate os problemas dos estudantes de baixa renda. Para esse coletivo, a ex-aluna da PUC, executada recentemente, Marielle Franco, escreveu a carta que publico abaixo e que deverá ser incluída no manual de “sobrevivência” que eles estão prestes a publicar.

“Aos bastardos da PUC-Rio, com carinho,
Chegar à PUC-Rio pode parecer algo um tanto tenso: a natural insegurança em ocupar um espaço novo; pessoas e normas ainda desconhecidas… É impossível não sentir aquele frio na barriga! Ainda mais quando ouvimos aquelas histórias de que há professores que dão textos e filmes em inglês sem tradução, de que não se veem alunos e professores negros em sala de aula, de que a principal reivindicação estudantil é a diminuição do preço do estacionamento, de que o pilotis da PUC é um desfile de moda… e por aí vai. Não há um manual que resolva tudo que passa na nossa cabeça nesse momento, mas algumas pistas são importantes para ajudar a descortinar uma nova rotina acadêmica, sem deixar de considerar a nossa realidade econômica, política e social. A primeira delas é não se deixar afetar por tudo que é falado sobre a PUC. As vivências, por mais que existam importantes similaridades coletivas, são individuais e tudo vai depender muito de como você encara o mundo e os desafios colocados. Eu, por exemplo, optei pelo diálogo franco e constante com professores diante das dificuldades pelas quais passei, seja como mãe jovem, trabalhadora e moradora de favela. Desde a limitação concreta de me locomover da Maré até a Gávea, para a primeira aula às sete da manhã, até as atividades extracurriculares que não pude fazer em virtude do meu trabalho ou mesmo pela falta de grana para custeá-las.
Apresentar para quem quer que seja a nossa realidade concreta não é ser vitimista, ainda mais com a perspectiva de trilhar caminhos possíveis e alternativos às limitações encontradas. Nesse sentido, a vice-reitoria comunitária também é uma parceira fundamental para questões objetivas e para oportunidades dentro e fora da universidade. É importante cercar-se de pessoas, sejam colegas de turma, professores ou funcionários, que possam contribuir para que a passagem pela PUC seja plena. Essa é sem dúvida uma ótima estratégia para a sobrevivência acadêmica.
Além disso, buscar compreender a PUC-Rio em sua complexidade, enquanto uma universidade privada de qualidade e legitimidade acadêmica, é também entender que, em uma sociedade desigual, racista e machista, as raras oportunidades não devem ser subutilizadas. Pensando nisso, ser um filho ‘bastardo’ da PUC não pode ser encarado como algo ruim, precisamos reivindicar um novo significado político: o ‘bastardo’ é aquele que resiste às desigualdades. Por isso, é necessário que o nosso histórico pessoal seja uma mola que impulsione a nossa vida acadêmica. Sem perder de vista a nossa identidade, o lugar e a família que nos gestaram, viver a PUC-Rio é quase uma missão política e social, já que o processo pedagógico é uma via de mão dupla: quando nos transformamos, modificamos também tudo e todos à nossa volta. A nossa presença na PUC-Rio já é, por si só, um ato de resistência! Boa viagem acadêmica, política, econômica e social.”


Publicado por Rubens Jardim em 31/03/2018 às 23h38
 
30/03/2018 20h59
RELENDO RAINER MARIA RILKE

Ontem, estava relendo alguns trechos de cartas do Rilke. E é incrível a sintonia que sinto com tudo que ele escreve. Comentei isso hoje com a Ana. Não satisfeito, quis dividir com ela o trecho lido. Quase não consegui, pois as lágrimas e os soluços dificultavam a comunicação. Por isso, divido com os amigos.
"A infância é um país independente de tudo. É um país em que há reis. Por que ir para o exílio? Por que não envelhecer e amadurecer nesse país?...Para que se habituar àquilo em que os outros acreditam? Isso porventura tem mais verdade do que aquilo em que se crê com a primeira e forte confiança infantil? Ainda consigo me lembrar...cada coisa tinha um significado especial, e era coisa que não acabava mais.E nenhuma tinha mais valor do que a outra. A justiça pairava sobre elas. Cada coisa podia uma vez parecer única, podia ser destino: uma ave que vinha voando pela noite e agora, preta e séria, pousava na minha árvore favorita; uma chuva de verão que transformava o jardim, de modo que todo o verde adquiria um tom mais escuro e brilho; um livro que guardava uma flor entre suas folhas, sabe Deus de quem; um seixo de forma estranha, interpretável: tudo era como se soubéssemos muito mais sobre isso do que as pessoas grandes. Parecia que a gente podia ficar feliz e grande com cada coisa, mas também que podia morrer em cada coisa...De fato é assim: cada um, nas profundezas de seu interior, é como uma igreja adornada por solenes afrescos...Os pais jamais deveriam querer nos ensinar a vida, pois eles nos ensinam a vida deles...No fundo, compreendem mal a criança, partem de um falso pressuposto, o do adulto, que se sente superior à criança,em vez de reconhecerem que a tentativa dos maiores indivíduos foi, em certos momentos, de serem iguais à criança e terem seus valores". (na foto Rilke e Paul Valéry)

A imagem pode conter: 3 pessoas, incluindo Frederico Barbosa, pessoas sorrindo, pessoas sentadas

 


Publicado por Rubens Jardim em 30/03/2018 às 20h59
 
30/03/2018 17h50
INVERSÃO DE VALORES

LULA já foi condenado, sem provas, pelo Moro no caso do triplex do Guarujá. Na 2ª instância, essa condenação foi confirmada por unanimidade e a pena ampliada. Esse é o Brasil com seu legado escravocrata. Um país que não admite as chagas da escravidão e, no fundo e no raso, discrimina pobres, trabalhadores e a população negra. Lula é a grande vítima por ter proporcionado avanços importantes na situação do nosso povo.E as elites -- e partes expressivas da classe média--possuem a mesma alergia do ex-presidente Figueiredo, aquele que preferia o cheiro de cavalo ao cheiro do povo. É lamentável, triste e desanimador estar vivo ainda para presenciar esse circo de horrores e essa abominável inversão de valores.


Publicado por Rubens Jardim em 30/03/2018 às 17h50
 
30/03/2018 17h46
EM OITO DIAS, 12 MORTES

ABRA OS OLHOS -- Procure enxergar o que está por trás disso. Imagine, por exemplo, um jovem segurando seu filho de menos de 1 ano, na varanda de um apto em Copacabana, receber um tiro de fuzil. Dá pra imaginar? Pois é. Na Rocinha isso aconteceu. E em 8 dias, 12 pessoas foram assassinadas. Será que a vida de um favelado vale menos que a vida de uma pessoa bem sucedida? É inadmissível isso, a não ser que a favela seja a senzala do mundo atual. E tudo aponta para essa conclusão. ABAIXO O CAPETALISMO!


Publicado por Rubens Jardim em 30/03/2018 às 17h46



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