Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
06/02/2019 17h39
IMPOSSÍVEL ESTAR EM FEVEREIRO E NÃO LEMBRAR DESSE POETA MAGNÍFICO

Paulo Marcos del Greco (1932-2018) é um dos poetas mais injustiçados deste país. Publicou um único e excelente livro nos anos 60, Lamentações de Fevereiro, na coleção Novíssimos -- do Massao Ohno. Depois disso, que eu saiba, só um trecho desse poema foi republicado na Antologia Poética da Geração 60, organizada pelos poetas Álvaro Alves de Faria e Carlos Felipe Moisés.
Pode-se até buscar justificativas para isso em sua produção de um livro só. Pode-se também atribuir-lhe a classificação--criada por Manuel Bandeira-- de poeta bissexto. Mas não consigo engolir nenhuma delas. Afinal, o nosso querido Augusto dos Anjos -- publicou também um livro só. E ainda hoje ele está aí, vivo, republicado--e presente em tudo que é história da literatura.
E como vocês poderão ver, nesse trecho inicial do livro Lamentações de Fevereiro, a poesia de Paulo Marcos del Greco é das melhores já publicadas no Brasil. O poema abre exatamente com o mesmo verso com que Camões dá início ao seu célebre poema Babel e Sião. (Sôbolos rios que vão por Babilônia...)

Sôbolos rios que vão por Babilônia
o tempo de chegar gerou a espera
e as mãos que me seguiram no caminho
teceram o foi e o que não era.
Sôbolos rios, tristes águas noites,
Babilônia outra vez ressurge em dias
e presente é passado e história é fuga
do escuro de teus olhos quando vias.
Por que tempo de amar, por que destêrro
nessa esfera armilar dentro do escuro,
onde barões assinalados, rudes,
cruzam as armas sobre a cruz de um muro?
Aqui é Babilônia. É parte alguma
onde tudo está. E armado em sangue
singra o tempo vazio o espaço exangue.

As palavras estão cansadas.
Sem deuses, a palavra cai
na conjura dos povos,
dorme no sobressalto das sílabas
e ressoa difícil, inquieta
no labirinto dos significados.
Semente que aguarda a madurez dos mitos
Palavra
árvore de lúcidas sombras
e frutos pressentidos
nas raízes.

Inútil lutar nesse horizonte de gritos
Inútil crispar mãos, ritos e gestos
para a chegada dos tempos
em que amor fale de nós.
Mas nossa voz é gasta
como o olhar dos mortos
e os ritos já se perdem na pronúncia dos ventos
dissimulados no perfil de outrora.
Resta o gesto que somos
na escuridão sem memória.
Pois o que pensamos,
nossa casa onde se diz
mesa, leito e cartas esquecidas,
o vaso de flores absortas
e livros longamente tocados no vazio das noites:
é ceia na memória.
A simples memória de sermos o fruto
de sabor prematuro nas línguas do vento
agitando vozes de outra essência
pelas estradas de Fevereiro.
Mas permanecemos. Aqui. Sobre coisas ocultas.

Aqui. no que nos mantém, 
pois mantemos o que nos mantém,
fiéis a um compromisso de vozes
articuladas sem berço.


Publicado por Rubens Jardim em 06/02/2019 às 17h39
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26/01/2019 17h36
E A VALE FOI PRIVATIZADA EM 1997,M GESTÃO FHC

NA LAMA

Mais uma tragédia brasileira (ou crime ambiental como alguns preferem nomear) aconteceu hoje, onde a impunidade reina para os responsáveis que se esquivam, e nada acontece ao se falar de vidas em risco, e crimes ecológicos. Mais de 400 desaparecidos e um despreparo absurdo para os resgates. Somos desamparados por um esquema podre de isenção de punição (interesses torpes capitalistas, judiciários e governamentais) e total hipocrisia quanto a laudos fraudulentos. Como pagar impostos e ver o profundo descaso e desproteção ao cidadão ? A corrupção já virou um veneno letal que assasina tudo o que requer manutenção neste país. E somos enganados todos os dias por estas lideranças crueis e desgovernadas. Mariana na lama, Museu Nacional em chamas, e viadutos rachando...! Agora Brumadinho. Retrato nacional de pessoas, trabalhadores, casas e bichos arrastados pela lama, levados pelas sujeiras das negligências podres e fedorentas.
Até quando ?
Vergonha nacional !

(copiei esse comentário da minha amiga, poeta Paula Valéria Andrade, pois ele resume, com exatidão meu pensamento)


Publicado por Rubens Jardim em 26/01/2019 às 17h36
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23/01/2019 19h58
NÃO ME CONFORMO COM O LULA PRESO, SEM PROVAS.

Essas fotos dizem tudo sobre o melhor e mais querido presidente do Brasil. Lula nunca foi capacho, nem subserviente, nem arrogante e metido à besta.

E um homem dessa qualidade humana e dessa grandeza política está preso, sem provas,por suspeição, indícios e convicções de que é proprietário de um apto no Guarujá...Qualquer mané sabe que a prova de propriedade de um imóvel não é nem o contrato de compra e venda, mas se ele consta no registro de imóveis...Pelo amor de Deus!


Publicado por Rubens Jardim em 23/01/2019 às 19h58
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22/01/2019 15h46
FESTA DA POESIA NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA, DIA 29.


Publicado por Rubens Jardim em 22/01/2019 às 15h46
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21/01/2019 01h25
SE A VIDA TE OFERECE UM LIMÃO, FAÇA UMA LIMONADA.

Hoje de manhã, na casa do mato, em Cotia, a Ana resolveu ir atrás de uma foto do Chris pequenininho. Acabou não achando. Mas eu me diverti reencontrando coisas que até Deus duvida. Essa foto, por exemplo, mostra parte de nossa família (eu, thiago, chris, ana e nossas huskies, amanda e natasha) trinta anos atrás.Os outros filhos que a Ana trouxe na bagagem, Gu, Minho e Tuca não estavam em casa. É interessante lembrar um fato que determinou mudanças significativas em nossas vidas. Morávamos na Vila Mariana e tínhamos que deixar o apto que era espaçoso e confortável. Fomos ver alguns na mesma região, eram bem menores e bem mais caros. Uma espécie de sinuca de bico. Foi aí que descobri em anúncio de jornal (aquela época era assim) essa casa na Fernando Nobre, em Cotia. Fomos até lá e ficamos encantados com tudo: localização, preço, dimensão. Tinha 4 quartos na parte superior, uma sala com lareira e um espaço muito gostoso pra gente tomar sol. E morar nesse palacete estava mais barato do que morar em um apto de 2 dormitórios na Vila Mariana. Fechamos negócio, assinamos contrato e vivemos alguns anos lá pagando aluguel. E foi essa experiência, marcante em todos nós, que fez com que, pouco depois, comprássemos um terreno onde construímos nossa casa do mato. Demoramos 4 anos para erguê-la. Nesse período, fomos viver (eu, ana e chris) com meus pais. E eu virei um cara que contratava pedreiros, frequentava demolições e acompanhava as obras. Claro que tomando cachaça, varias vezes, com esses companheiros que colocaram de pé nosso sonho. Até hoje agradeço a todos que passaram por lá, contribuindo com ideias, palpites, sugestões..Sintam-se homenageados, meus queridos João, Juvenal, Lorival, seu Antonio. Sem a boa vontade e o trabalho criativo de vocês nada disso teria acontecido. Fico emocionado por termos conseguido manter, aos trancos e barrancos, uma relação fraterna e companheira. Vocês, como nós, também tiveram a oportunidade de inventar e se aprimorar na profissão. Fiquem certos de que as mãos de vocês continuam presentes em cada tijolo, em cada dormente, em cada reboco. Saudades, admiração e gratidão por tudo o que vocês fizeram por nós.


Publicado por Rubens Jardim em 21/01/2019 às 01h25
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