Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
23/04/2009 10h56
FIDEL CASTRO:O ÚLTIMO MONSTRO SAGRADO DA POLÍTICA INTERNACIONAL
Habitualmente utilizo este espaço para divulgar poemas de minha lavra e de outros autores que reputo importantes e significativos. Raras vezes fugi a este princípio. E quando fugi, foi para me ocupar dos mais expressivos filósofos --caso de Sartre e Nietzsche --e de alguns pensadores e escritores que também foram muito importantes na minha formação. Entre eles posso destacar Henry Miller, Erich Fromm, Jung, Bachelard, Sant Exupéry, Reich, Rajneesh e Guimarães Rosa.
Desta vez, porém, vou me ocupar de uma personalidade vinculada à história política contemporânea que, quase sempre, não tem merecido um tratamento livre de preconceitos --e de superficiais e apressadas conclusões. Trata-se da figura singular do líder revolucionário cubano, Fidel Castro, hoje com 82 anos e já fora de todos os cargos que ocupava na estrutura do governo.
Para muitas pessoas, Fidel Castro ainda provoca receios, dúvidas e críticas. E ainda que a Revoluçao Cubana consiga promover algum entusiasmo, Fidel é tema que sempre polariza, fragmenta e divide. É cada vez mais difícil encontrar alguém --a favor ou contra Cuba --que, na hora de fazer um balanço, manifeste uma opinião serena e desapaixonada. É o que vamos procurar fazer, sem esquecer o fato de que Fidel Castro é o último "monstro sagrado" da política internacional.
Pertence a uma geração de insurgentes míticos como Nelson Mandela, Ho Chi Minh, Patrice Lumumba, Che Guevara, Marighela e Ben Barka. E como todos eles --e como milhares de intelectuais e de progressistas de todas as partes do mundo --Fidel pensava que o comunismo anunciava um porvir radiante, e que a injustiça, o racismo e a pobreza poderiam ser extirpados da face da Terra.
Naquela época, no Vietnã, na Argélia, em Guiné-Bissau-- e em mais da metade do planeta-- os povos oprimidos estavam envolvidos em lutas libertárias contra a infâmia da colonização. Quase toda a África e boa parte da Ásia seguiam dominadas pelos velhos impérios ocidentais. E as nações da América Latina, independentes em teoria, permaneciam subjugadas por minorias privilegiadas --e muitas vezes por cruéis e despóticos ditadores como Batista(Cuba), Trujillo(Rep. Dominicana), Duvalier(Haiti), Somoza(Nicarágua) e Stroessner(Paraguai).
No longo exercício de seu cargo como chefe de Estado, Fidel Castro teve que lidar com dez presidentes norte-americanos: Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho. Teve relações com os principais líderes do mundo pós 1945: Nehru, Nasser, Tito, Krushev, Ben Bella, Boumedienne, Arafat, Indira Gandhi, Allende, João Paulo II, rei Juan Carlos, Brezhnev, Gorbachov, Miterrand, etc. E manteve contatos amistosos com alguns dos principais intelectuais e artistas do nosso tempo: Sartre, Simone de Beauvoir, Hemingway, Arthur Miller, Graham Greene, Pablo Neruda, Jorge Amado, Cartier-Bresson, Cortázar, Saramago, Gabriel Garcia Márquez, Eduardo Galeano, Chomsky, Chico Buarque, etc.
Mas bem antes de chegar ao poder, em 1959, Fidel Castro teve que caminhar no fio da navalha e testar a sua sorte e o seu destino. Logo após o célebre assalto frustrado ao quartel Moncada(1953), por exemplo, ele bateu em retirada e, sem desistir do combate, foi para as montanhas com mais oito companheiros. Mas depois desses dias de stress altíssimo e sacrifícios descomunais, o grupo descobre um rancho e resolve dormir. Pois bem: em seguida, são acordados por uma patrulha do exército e sob a mira de fuzis de cano largo --capturados. Não foram mortos porque o tenente negro, chefe daquele agrupamento, ordenava : "No disparen, no disparen. Las ideas no se matam, las ideas no se matam."
Segundo relato do próprio Fidel, em entrevista a Ignácio Ramonet, "recuerdo a los soldados enfurecidos. Nos gritaban: Tírense al suelo! Y digo: Yo no me tiro, no me tiro al suelo. Si quieren matarme, mátenme de pie. Desobedecí la orden terminante, y me quedé parado. Entonces el teniente Sarría, muy cerca de mí, dice en voz baja: Ustedes son muy valientes, muchachos, ustedes son muy valientes. Cuando veo el comportamiento de aquel hombre, le comunico: Teniente, yo soy Fidel Castro. Me responde rápido: No se lo digas a nadie, no lo digas. Así que desde ese momento él conocía mi identidad. Sabe lo que hizo? Llegamos a la casa del campesino, muy próxima a la carretera, había allí un camión, me montan en él, era el mismo donde estaban otros soldados con los demás prisioneros. Sienta al chofer al timón, me sitúa a mí en medio y él se coloca a la derecha. Se aproxima entonces el comandante Pérez Chaumont, un asesino, el jefe de los que habían estado matando prisioneros, y le exige al teniente que me entregue. Pero el teniente le dice que no: El prisionero es mío, le dice que no, que él es quien tiene la responsabilidad y me lleva a Vivac. Si me hubiese conducido a Moncada, picadillo habrían hecho de mí, ni un pedacito habría quedado. El Vivac era un cárcel civil que había en el centro de la ciudad, y el prisionero estaba allí bajo la jurisdicción de los tribunales."
Mesmo escapando da execução, Fidel e seu irmão Raul Castro foram presos e condenados a 15 anos. Dois anos depois, anistiados, partiram parta o exílio no México. Lá, Fidel conhece o Che e resolve voltar clandestinamente para Cuba chefiando uma fileira de 82 homens decididos a empreender uma guerrilha revolucionária. Essa viagem, feita no Granma, estava programada para demorar apenas 5 dias --mas demorou sete, graças aos conhecimentos elementares de navegação do grupo. E três dias após o desembarque, em Alegría Pio --aviões da aeronáutica de Batista fazem vôos razantes e alguns disparos e, logo em seguida,a infantaria abre fogo cerrado contra os revoltosos descobertos
"Dispersión total. Yo me quedé solo com otros dos compañeros en el cañaveral. Cada hombre o pequeno grupo vivió su propia odisea. Comenzamos a reorganizarnos con dos fusiles. Raul, dos semanas más tarde llegó com cinco fusiles. Sumados los dos, en total reunimos ese día siete fusiles. Ahí yo dije por primera vez: Ahora sí ganamos la guerra. Pero ya en esa ocasión, ayudados por los campesinos que habían recogido algunos fusiles de varios de nuestros compañeros asesinados, reunimos 17 armas de guerra, y con ellas obtuvimos nuestra primeira victoria."
Antes de mais nada gostaria de colocar algumas questões elementares em relação a essa controvertida figura. Em primeiro lugar, uma comparação rasteira: ao contrário do Che que ocupou postos importantes no início da Revolução e depois partiu para a tentativa de libertação de outros povos e acabou morrendo, Fidel permaneceu vivo e no poder durante quase 50 anos. Além de sofrer os desgastes naturais e pessoais a que todo ser humano está submetido, Fidel sofreu esse desgaste paralelo como líder e como revolucionário.
Exposto pela mídia internacional como ditador, até hoje é acusado pela revista Forbes de ter adquirido grande patrimônio e ser possuidor de invejável fortuna. Mas será que alguém, em sã consciência, é capaz de explicar o que faz com que um ser humano corra atrás de dinheiro e não usufrua dele? Fidel sempre viveu em Cuba e, segundo depoimentos de jornalistas que tiveram acesso a sua vida privada, ele vive de maneira modesta e quase espartana.
Ignacio Ramonet, por exemplo, diretor do Le Monde Diplomatique, diz textualmente "luxo inexistente, mobiliário austero, comida simples e frugal. Hábitos de monje-soldado." Até seus inimigos admitem que ele é um dos raros chefes de Estado que não se aproveitou de suas funções para enriquecer. E ele mesmo, Fidel, já contestou essa denúncia dizendo que abdicaria de sua funções caso algo fosse comprovado. Mais ainda: "Las mías necesidades personales son realmente muy pocas, y nunca ha habido ni un aumento de salario. Tendré la gloria de morir sin una divisa convertible. Millones me han ofrecido por escribir memorias y libros, pero nunca lo he hecho.El salario mío es de 30 dolares mensuales e yo no tengo ni un centavo mío."

PALAVRAS DE FIDEL CASTRO

 "En esa universidad --de La Habana -- adonde llegué simplemente con espiritu rebelde y algunas ideas elementales, me hice revolucionario, me hice marxista-leninista y adquiri los valores que sostengo y por los cuales he luchado a lo largo de mi vida. Porque yo, además, había vivido en un latifundio y recordaba cosas y soñaba con soluciones, como tantos utopistas han hecho en el mundo. Yo desayunaba, almorzaba y cenaba con el libro al lado, sin apartar la vista de lo que leía. La gente de izquierda me veia como un personaje extraño, porque decían: Hijo de terrateniente y graduado del Colegio de Belén, éste debe ser el tipo más reaccionario del mundo."

 "Seguramente lo que más ha influido es que, donde yo nací, vivía con la gente más humilde. Recuerdo a los desempleados analfabetos que hacían colas en las proximidades de los cañaverales, sin que nadie les llevara una gota de agua, ni dasayuno, ni almuerzo, ni tenían albergue, ni transporte. No puedo olvidar tampoco a aquellos muchachos que andaban descalzos. Todos los compañeros con los cuales yo jugaba, en Birán, con los que iba para arriba, para abajo, por todas partes, eran la gente más pobre, a algunos de los cuales, incluso, a la hora del almuerzo, yo les llevaba una lata llena de la comida excedente, por no decir sobrante, de mi casa. En cambio, en Santiago y después en La Habana, yo estaba en colegios de privilegiados, donde solo había hijos de terratenientes. Hijos de gente de dinero. Claro, allí tenía amistad con ellos, jugábamos, practicábamos deportes y todo eso. Pero no convivía con ellos en barrios de ricos."

 "Yo creo que los esclavos, en el siglo XIX, tenían mejores condiciones de vida que aquellos haitianos. Los antiguos esclavos eran propriedad de un esclavista que los cuidaba como los duenos cuidan a los animales. Los esclavistas se ocupaban de la salud del animal y lo alimentaban, pero el capitalista no cuidaba de la salud ni alimentaba al obrero supuestamente libre, el antiguo esclavo."

 "La historia de la barba es muy sencilla: eso surgió delas condiciones difiles que vivíamos en la guerrilla. No teníamos navajas ni cuchillas de afeitar. Cuando nos vimos en el corazón del monte, a todo el mundo le creció la barba y la melena, y al final eso se transformó en una espécie de identificación. Para los campesinos y para todo el mundo, éramos los "barbudos". Tenía su lado positivo: para infiltrar una espía en la guerrilla era preciso prepararlo com bastante antelación, para que el individuo tuviese una barba de seis meses por lo menos.Así la barba servía como elemento de identificación y de protección, hasta que terminó transformándose en un símbolo de los guerrilleros."

 "Yo creo que mi temperamento, que en parte es de nacimiento, se forjó también allí con los jesuitas. Elos saben formar el carácter de los muchachos. Si uno realiza actividades arriesgadas y dificiles, las ven como prueba de espíritu emprendedor y tenaz. El jesuita español sabe inculcar un gran sentido de le dignidad personal, el sentido del honor, sabe apreciar el carácter, la franqueza, la rectitud, la valentía de la persona, la capacidad de soportar un sacrificio. Son valores que saben exaltar".

 "Yo había aprendido a nadar no sé desde cuando en los charcos de arroyos y en los ríos de Birán, y todo era con la misma gente que participaban en las aventuras con nosotros. Yo no adquiero una cultura burguesa. Mi padre era un terrateniente aislado en realidad. Mis padres no salían de visita y rara vez las recibían. No tenían la cultura y las costumbres de una familia de clase rica. Estaban todo el tiempo trabajando y nosotros en ralación exclusiva con los que vivían allí en Birán. En mi casa nunca me dijeron: No te juntes con éste o con aquél. Jamás.Y yo andaba a cada rato por los barracones de los haitianos."

"Nosotros somos gente muy apasionada, pero no albergamos odios, que es otra cosa. El odio no se sabe de qué nace, puede estar en la naturaleza humana. Hay personas que son capaces de ser más serenas y otras muy apasionadas: se puede sentir desprecio, desdén, se puede tener una pésima opinión sobre un sistema político. Pero no odio contra las personas. Por doctrina no albergamos odio."

"Participé en la captura no sa sabe de cuántos prisioneros. Yo salvé la vida a uno de ellos aquella misma noche, que decía: Mátenme!, y estaba hasta con barba. Tenía una úlcera sangrante. Le respondo: Nosotros no matamos a los prisioneros. En un jeep, a toda velocidad, lo enviamos para el hospital. Así se salvó su vida."

"Bajo la presidencia de Nixon, en 1971, se introdujo en Cuba --segun una fuente de la CIA mediante un contenedor --el virus de la peste porcina. Y tuvimos que sacrificar más de medio millón de cerdos. Ese virus de origen africano era totalmente desconocido en la isla. Lo introdujeron dos veces. Y hubo algo peor: el virus tipo II del dengue, que produce febres hemorrágicas frecuentemente mortales. Eso ocurrió en 1981. Más de 350 mil personas resultaron contaminadas, de las cuales murieron 158, entre ellas 101 ninos."

"Por aquella época estoy estudiando inglés, y creo que ya estaba próxima la guerra, en 1939, que es cuando le envío una carta a Roosevelt. En la carta le digo a Roosevelt que me gustaría tener un billete de 10 dólares: "a ten dollars green bill". Un dia salgo de clase y me encuentro un gran ruido en los pasillos de la escuela: Roosevelt, decían, le había escrito una carta a Fidel. Había una copia en exhibición donde ponían las informaciones. Después del triunfo revolucionario los norteamericanos encontraron mi carta y la publicaron, gracias a lo cual tengo copia, porque me quedé sin ninguna."

 "Che era ya marxista. Aunque no militaba en ningún partido, era en esa época un marxista de convicción. Era de esas personas a quien todos le toman afecto inmediatamente, por su naturalidad, su sencillez, su compañerismo y sus virtudes. Padecía de asma y él todos los fines de semana trataba de subir el volcán Popocatépetl, la alta montaña de más de 5 mil metros. Iniciaba el ascenso, hacía un enorme esfuerzo y no llegaba a la cima. El asma obstaculizaba sus intentos. A la semana seguinte intentaba de nuevo y no llegaba. Nunca alcanzó la cima del Popo --como él le llamaba--pero volvía a subir, para intentarlo de nuevo. Realizaba un esfuerzo heroico, aunque nunca alcanzara aquella cumbre. Era el primer voluntario para qualquier misión difícil; se caracterizaba por un extraordinario arrojo, un desprecio del peligro."






Publicado por Rubens Jardim em 23/04/2009 às 10h56
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