Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
20/03/2019 17h02
BELÍSSIMO POEMA DE AUDEN

FUNERAL BLUES

Parem todos os relógios, desliguem o telefone, 
Evitem o latido do cão com um osso suculento, 
Silenciem os pianos e com tambores lentos 
Tragam o caixão, deixem que o luto chore.

Deixem que os aviões voem em círculos altos 
Riscando no céu a mensagem: Ele Está Morto, 
Ponham gravatas beges no pescoço dos pombos brancos do chão, 
Deixem que os polícias de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Leste e Oeste, 
A minha semana útil e o meu domingo inerte, 
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha canção, a minha fala, 
Achei que o amor fosse para sempre: Eu estava errado.

As estrelas não são necessárias: retirem cada uma delas; 
Empacotem a lua e façam o sol desmanchar; 
Esvaziem o oceano e varram as florestas; 
Pois nada no momento pode algum bem causar.

Esse poema foi escrito por W. H. Auden(1907-1973),poeta britânico, em 1936, e ganhou popularidade internacional no filme Quatro casamentos e um funeral, numa cena em que o personagem Matthew homenageia seu companheiro morto.


Publicado por Rubens Jardim em 20/03/2019 às 17h02
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