Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
31/07/2020 19h39
AS MULHERES POETAS NA LITERATURA BRASILEIRA

PROCURO HERDEIROS, AMIGOS E FAMILIARES DESTAS POETAS POIS PRECISO DE AUTORIZAÇÕES PARA PUBLICAR ALGUNS POEMAS NAS ANTOLOGIAS IMPRESSAS

.(a imagem é dos 10 exemplares que imprimi pra mim)

Sei que será muito difícil conseguir autorizações de poetas que morreram e não estão ainda em domínio público. Caso de Colombina, Cora Coralina, Gilka Machado, Henriqueta Lisboa,Cecília Meireles, Adalgisa Nery,Helena Kolody, ,Mariajosé de Carvalho, Stella Leonardos,Ilka Brunhilde Laurito, Helle Alves, Celina Ferreira, Ida Laura, Zila Mamede, Iracy Gentili, Zulmira Ribeiro Tavares, Hilda Hilst, Lupe Cotrim Garaude, Ivete Tannus, Marly de Oliveira, Helena Armond, Orides Fontela, Isabel Câmara, Reni Cardoso, , Lucila Nogueira, Ana Cristina César, Hilda Machado,. Agradeço quem puder me ajudar nessa busca. Mas já recebi a concordância de familiares de Jacinta Passos, Carmen Silvia Presotto..Dora Ferreira da Silva, Eunice Arruda, Myrian Fraga, Olga Savary, Helena Ortiz e Tânia Diniz.

 


Publicado por Rubens Jardim em 31/07/2020 às 19h39
 
22/06/2020 11h14
ELEGIAS NASCEM ENTRE DESESPERO, ÊXTASE, CONSÔLO E AMPARO

ELEGIAS DE DUINO: UM DOS LIVROS MAIS IMPORTANTES DA MINHA VIDA – Há 92 anos, num dia 13 de fevereiro, essa coletânea de dez poemas de Rainer Maria Rilke foi publicada, em Leipzig, Alemanha. Considerados como um dos mais importantes exemplos de lirismo no século 20, os poemas que compõem o livro foram iniciados no Castelo de Duino, perto de Trieste, onde Rilke morou, entre 1910 e 1912, a convite da princesa Maria von Thurn und Taxis, sua amiga e mecenas. E o poeta só terminou o livro em 1922, dez anos após tê-lo iniciado, no Castelo de Muzot, posto a sua disposição por um amigo: Walter Reinhart. O tema central das Elegias de Duino é o mistério do homem e de seu destino. Algo que não tem nada a ver com a pressa e a superficialidade dos tempos atuais de fast food. Aliás, Maria João Cantinho faz uma pertinente observação, citando Rilke, Eliot e Trakl: “Têm uma digestão lenta e complicada e não nos deixam em repouso com o mundo. Não são poetas que celebrem a alegria de viver, o sucesso, os dias felizes que hão-de vir, mas sim poetas que atravessam escombros e ruínas, para aí descobrirem a miséria e a sublime grandeza da alma humana, redescobrindo um esplendor essencial. São poetas que obedecem ao seu instinto, que é o de devolver por inteiro a humanidade ao homem, reinvestindo-o da sua dimensão essencial e, por isso mesmo, trágica. São os poetas da solidão e do desamor, do desamparo, da escuridão.”
Numa carta em que responde às questões "incômodas" do seu tradutor polaco, Rilke escreve assim (citação extraída do prefácio de Maria Teresa Dias Furtado):
“E sou eu que tenho de dar a verdadeira explicação das Elegias? Elas ultrapassam-me infinitamente. Considero-as um aperfeiçoamento na sequência daqueles pressupostos essenciais já presentes no Livro das Horas e que em ambas as partes dos Novos Poemas se servem experimentalmente de uma imagem do mundo, vindo a concentrar-se de modo conflituoso nos Cadernos de Malte em que voltam a confrontar-se com a vida e aí quase demonstram que esta vida suspensa no abismo é impossível. Nas Elegias, e partindo dos mesmos dados, a vida volta a ser possível [...] A afirmação da vida e da morte constitui uma única e mesma coisa nas "Elegias" [...]
Para celebrar esse poeta que me acompanha desde a juventude, divulgo a primeira elegia que abre o livro e foi escrita quando o poeta, após receber uma carta sobre um assunto desagradável, saiu para passear nas proximidades do Castelo. Foi nessa caminhada que Rilke—vocacionado a crer em visões, premonições e advertências telepáticas situadas além das fronteiras do real – “ouviu a voz do vento chegar no verso de abertura da primeira elegia. Pouco tempo depois, a segunda elegia também estava escrita.Trechos de de outras nasceram do mesmo modo assim como outros fragmentos. Mas vamos deixar de interpretações e vamos ao que interessa mesmo:
Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos
me ouviria?
E mesmo que um deles me tomasse inesperadamente em seu coração,
aniquilar-me-ia sua existência demasiado forte.
Pois que é o Belo senão o grau Terrível
que ainda suportamos e que admiramos
porque, impassível, desdenha destruir-nos?
Todo Anjo é terrível.
E eu me contenho, pois, e reprimo o apelo
do meu soluço obscuro.
Ai, quem nos poderia valer?
Nem Anjos, nem homens
e o intuitivo animal logo adverte
que para nós não há amparo neste mundo definido.
Resta-nos, quem sabe, a árvore de alguma colina,
que podemos rever cada dia;
resta-nos a rua de ontem
e o apego cotidiano de algum hábito
que se afeiçoou a nós e permaneceu.
E a noite, a noite, quando o vento pleno dos espaços
do mundo desgasta-nos a face - a quem furtaria ela,
a desejada, ternamente enganosa, sobressalto
para o coração solitário?
Será mais leve para os que se amam?
Ai, apenas ocultam eles, um ao outro, seu destino.
Não o sabias?
Arroja o vácuo aprisionado em teus braços
para os espaços que respiramos - talvez pássaros
sentirão o ar mais dilatado, num voo mais comovido.

Sim, as primaveras precisavam de ti.
Muitas estrelas queriam ser percebidas.
Do passado profundo afluía uma vaga,
ou quando passavas sob uma janela aberta,
uma viola d'amore se abandonava.
Tudo isto era missão.
Acaso a cumpriste? Não estavas sempre distraído,
à espera, como se tudo anunciasse a amada?
(Onde queres abrigá-la, se grandes e estranhos
pensamentos vão e vem dentro de ti e,
muitas vezes, se demoram nas noites?)
Se a nostalgia vier, porém, canta as amantes;
ainda não é bastante imortal sua celebrada ternura.
Tua quase as invejas - essas abandonadas
que te pareceram tão mais ardentes
que as apaziguadas.
Retoma infinitamente o inesgotável louvor.
Lembra-te: o herói permanece, sua queda mesma
foi um pretexto para ser - nascimento supremo.
Mas às amantes, retoma-as a natureza
no seio esgotado,
como se as forças lhe faltassem
para realizar duas vezes a mesma obra.
Com que fervor lembraste Gaspara Stampa,
cujo exemplo sublime faça enfim pensar
uma jovem qualquer, abandonada pelo amante:
por que não sou como ela?
Frutificarão afinal esses longínquos sofrimentos?
Não é tempo daqueles que amam libertar-se
do objeto amado e superá-lo, frementes?
Assim a flecha ultrapassa a corda,
para ser no voo mais do que ela mesma.
Pois em parte alguma se detém.
Vozes, vozes. Ouve, meu coração, como outrora apenas os santos ouviam,
quando o imenso chamado os erguia do chão;
eles porém permaneciam ajoelhados,
os prodigiosos, e nada percebiam,
tão absortos ouviam.
Não que possas suportar a voz de Deus, longe disso.
Mas ouve essa aragem, a incessante mensagem
que gera o silêncio.
Ergue-se agora, para que ouças,
o rumor dos jovens mortos.
Onde quer que fosses, nas igrejas de Roma e Nápoles,
não ouvias a voz de seu destino tranquilo?
Ou inscrições não se ofereciam, sublimes?
A estela funerária em Santa Maria Formosa...
O que pede essa voz?
A ansiada libertação da aparência de injustiça
que às vezes perturba a agilidade pura de suas almas.

É estranho, sem dúvida, não habitar mais a terra,
abandonar os hábitos apenas aprendidos,
à rosas e a outras coisas singularmente promissoras
não atribuir mais o sentido do vir-a-ser humano;
o que se era, entre mãos trêmulas, medroas,
não mais o ser; abandonar até mesmo
o próprio nome
como se abandona um brinquedo partido.
Estranho, não desejar mais nossos desejos.
Estranho, ver no espaço tudo quanto se encadeava,
esvoaçar, desligado.
E o estar-morto é penoso e quantas tentativas
até encontrar em seu seio um vestígio de eternidade.
- Os vivos cometem o grande erro de distinguir
demasiado bem.
Os Anjos (dizem) muitas vezes não sabem
se caminham entre vivos ou mortos.
Através das duas esferas, todas as idades
a corrente eterna arrasta.
E a ambas domina com seu rumor.

Os mortos precoces não precisam de nós,
eles que se desabituam do terrestre, docemente,
como de suave seio maternal.
Mas nós, ávidos de grandes mistérios,
nós que tantas vezes só através da dor atingimos
a feliz transformação, sem eles poderíamos ser?
Inutilmente foi que outrora, a primeira música
para lamentar Linos violentou a rigidez
da matéria inerte?
No espaço que ele abandonava, jovem, quase deus,
pela primeira vez o vácuo estremeceu em vibrações –
que hoje nos trazem êxtase, consolo e amparo.
(Tradução de Dora Ferreira da Silva)


Publicado por Rubens Jardim em 22/06/2020 às 11h14
 
10/06/2020 19h01
A SEMANA DE FESTA DA CATEQUESE POÉTICA EM MAIO DE 2014

No final do ano, de 2013, eu anunciava a intenção de organizar comemorações aos 50 anos da Catequese Poética. Em parceria com a Fernanda De Almeida Prado, e o seu Chama Poética, realizamos na Casa das Rosas uma semana de festividades em torno desse movimento que surgiu logo após o golpe militar de 64. Pra quem não sabe, a Catequese Poética foi criada por Lindolf Bell, poeta catarinense, aqui em São Paulo, em maio de 1964, com o objetivo de reaproximar o poeta e o povo. Nessa direção a Catequese Poética criou núcleos em diversos locais do Brasil e partiu no ombro a ombro e no quem-com-quem.Nunca esquecendo, é claro, de que o lugar do poeta é onde possa inquietar e o lugar do poema são todos os lugares.
A filha do poeta, Rafaela Bell, por exemplo, conseguiu patrocínio para trazer essa exposição iconográfica que ficou aberta ao público nos jardins da Casa das Rosas. E a Rafa conseguiu também apoio de empresas de Santa Catarina para custear o livro que organizei --Lindolf Bell-50 Anos de Catequese Poética --e foi publicado pela Patuá do nosso querídíssimo Eduardo Lacerda. Embora não tenhamos conseguido sensibilizar os veículos de comunicação (jornais, revistas, emissoras de rádio e tv) que sequer noticiaram esse evento cultural, as comemorações foram concorridas e despertaram grande interesse.Felizmente, muitas pessoas visitaram a exposição,assistiram palestras, ao café aperitivo e as leituras públicas de poemas.E em algumas noites de declamação conseguimos lotar a Casa das Rosas.


Publicado por Rubens Jardim em 10/06/2020 às 19h01
 
05/06/2020 09h49
COMO ESCREVE RUBENS JARDIM

“Indisciplinado e rebelde por natureza”, o poeta Rubens Jardim confessa não ter horários nem métodos para escrever. É caótico, bagunçado e sujeito “as variações de humor e de amor”. O projeto mais longo de sua vida –que nem era projeto—foram AS MULHERES POETAS... que acabaram ocupando seis anos de sua vida--e viraram 3 livros virtuais gratuitos disponíveis na plataforma ISSUU. O maior sonho desse poeta é transformar esses e-books em livros impressos. Alguma editora vai se manifestar?
(Gratidão ao José Nunes por ter me convidado a participar dessa série tão interessante que ele está publicando)

SEGUE O LINK 

https://comoeuescrevo.com/rubens-jardim/?fbclid=IwAR0DoX3whpw63vvDjTLc_NootE_k2ZTWUKXyhPmsv9FkBBhSQ7mtLLugBPs


Publicado por Rubens Jardim em 05/06/2020 às 09h49
 
12/05/2020 15h38
COMO JÁ DISSE LINDOLF BELL, SOU REBELDE MAS NÃO SOUI BELICOSO.

Até pouco tempo, uns dez anos, comecei a ter o compromisso de tomar diariamente dois medicamentos: um para pressão, outro pra colesterol. No início isso me causava estranheza, pois tive sorte em viver com muita saúde, longe de medicamentos e tratamentos médicos. Recentemente, desde o ano passado, fui diagnosticado com câncer no pulmão esquerdo-- e imaginei começar a viver com fortes restrições, enfim,viver uma tragédia. De novo tive sorte e as bençãos do deusinho da minha meninice: fui submetido a uma cirurgia, fiquei apenas 2 dias hospitalizado e a equipe médica do Prevent Senior me informou que eu estava curado e não precisava nem de quimio, nem de radioterapia. Finalzinho de dezembro de 2019 começo a sentir coisas estranhas e sou, depois de uma diversificada peregrinação por médicos e ps, diagnosticado com Miastenia, uma doença nervomuscular que altera respostas motoras e tem uma variada gama de sintomas.Hoje, graças a Deus, estou bem melhor mas tenho que ingerir todos os dias essa batelada de remédios.São 9 medicamentos. O médico, especialista nessa moléstica, já deu o recado que ficar bem, 100%, não é viável. Essa moléstia não tem cura. O certo é que a gente acaba se conformando. Mas entendo e respeito a atitude que teve o poeta e memorialista Pedro Nava e, agora, o ator Flavio Migliacio. Mas não tenho vocação pra essas violências. Como já disse, repetindo o Lindolf Bell, sou rebelde mas não sou belicoso.


Publicado por Rubens Jardim em 12/05/2020 às 15h38



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