Rubens Jardim

A poesia é uma necessidade concreta de todo ser humano.

Meu Diário
08/08/2019 00h37
DE PAI PRA FILHAS (O QUE UM PAI DIZ ÀS FILHAS QUANDO A MÃE NÃO ESTÁ POR PERTO), publicado pela MRN Editora, é um ótimo p

Mais um poeta e escritor curtindo o livro de estréia de Luiz Gustavo Leitão Vieira, fora do universo acadêmico. E o Paulo Lima é competente, sério e rigoroso. Aliás, outras figuras respeitadas da nossa literatura como Álvaro Alves de Faria, Lenita Estrela de SáMirian de Carvalho, Jacyntho Lins Brandão e Edmundo de Novaes Gomes já louvaram esse livro. Eu também já li e recomendo. Em seguida, a resenha de Paulo Lima: 


PAI & FILHAS

A paternidade é um livro repleto de histórias, mas nem todos os pais têm condições de contá-las. Os filhos crescem, e as histórias ficam para trás num álbum genérico denominado "memórias da infância".

Este não é o caso do tradutor Luiz Gustavo Vieira. Pai de gêmeas, ele resolveu registrar em livro as dores e as delícias de sua convivência com as filhas Stella e Clara.

O universo da literatura envolvendo pais e seus rebentos é extensa, e o saldo nem sempre é positivo. Sobram doses proporcionais de amor e ódio entre as partes. Leia "Pais e filhos", de Ivan Turgêniev, por exemplo, e verá.

Mas nas crônicas DE PAI PRA FILHAS (O QUE UM PAI DIZ ÀS FILHAS QUANDO A MÃE NÃO ESTÁ POR PERTO), publicado pela MRN Editora, o humor ultrapassa todas as barreiras. Se Luiz Gustavo pôde contar com a inteligência das filhas, elas tiveram a sorte de dispor de um talentoso contador de histórias.

Stella e Clara, de apenas 8 anos, parecem ter chegado prontas ao mundo, tamanho é o desembaraço com que encurralam o pai nas situações mais desafiadoras, típicas da infância. E olha que ao pai não faltam recursos intelectuais para se safar, em tese, das armadilhas espertas das meninas.

Se você é pai, é professor. Mas é também aluno, e para Luiz Gustavo exorbitam os momentos em que ele, depois de levar uma boa sova de esperteza, vê-se forçado a aprender e baixar o topete da autoridade paterna.

É o que reconhece o próprio Luiz Gustavo: "Descobri, para meu desalento e constante irritação, que uma das funções primordiais dos filhos é manter você com os pés no chão. Em termos mais chulos e claros: filho te dá uma real, faz você baixar a bola, te derruba do pedestal."

E oportunidades de aprendizado não faltam. Zeloso com o bem-estar familiar, Luiz Gustavo se vê às voltas com o ímpeto de consumo das gêmeas, tendo que freá-lo com argumentos realistas. Não contava, porém, com a sagacidade de Stella: "Pai, nao dá para pagar o cartão de crédito com o cartão de crédito?" Como é que o mercado financeiro não pensou nisso?

Entretanto, as artimanhas das gêmeas alcançam não apenas os limites do território do pai, mas também da mãe, Karina, que é psicóloga. Quer ver só? Certa vez, na hora de dormir, a esposa exigiu o direito de ficar com o marido. Stella se insurgiu: "É meu pai!" Karina respondeu: "É meu marido há mais de vinte anos. Há quanto tempo é seu pai?" E a réplica vencedora de Stella, com a precisão de um nocaute: "Ele é meu pai minha vida toda. Não é seu marido a vida toda. A vida toda vale mais."

Estes são apenas dois dos muitos diálogos coletados por Luiz Gustavo que, explorados com a habilidade de fino cronista, fazem de seu livro uma viagem deliciosa e superengraçada, uma declaração de amor sincera e sensível que ensinará também todos os leitores - tanto os que são pais quanto os que ainda serão.


Publicado por Rubens Jardim em 08/08/2019 às 00h37
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